Mon coeur mis à nu


January 31, 2009, 22:14
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Sometimes I buy rather uncomfortable shoes, just so I can have them in my closet, eventually put them on and feel so very extravangant looking.

Sometimes, I pick a man that is naturally uncomfortable, just so I can feel extravagant and in pain, pull him out of my head and remember how much it has made me learn.

Comfortable shoes, as comfortable men, are made for the daily basis. They can make you happy, for a while. But in the lonely low self esteem evenings, you pick the ones that make you feel beautiful and hurt.

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Time is love?
January 31, 2009, 22:14
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 Esses dias, eu e Amanda ficamos lendo muitos posts de um blog desconhecido de um conhecido meu, e ele tinha muito talento, realmente. Era incrível, eram poesias, e elas não pareciam ridículas como a maioria das poesias – pelo menos as que eu escrevo sempre me parecem. Ela leu várias pra mim, e mesmo em voz alta elas pareciam muito boas. Depois, eu e ela conversamos sobre muitas, muitas coisas, e elas sempre acabam em relacionamentos. Por que será que todas as minhas conversas sempre acabam nesse tópico? Será obsessão? Quem sabe vazio, quem sabe incompletude. Quem sabe, falta de acontecimentos. Mas acho que não, é mais provável que as coisas sempre pareçam irrelevantes perto do que eu sinto quando se tratando de outras pessoas: por que será que eu(meu futuro acadêmico, meus projetos, meu trabalho) sempre me sinto tão insignificante perto dos meus relacionamentos…?

  Olha, eu penso bastante sobre isso. E penso sobre por que que, no fim das contas, tudo se resume a quem está me rejeitando. E penso, também, se as coisas só tem graça quando se está sendo rejeitado. Ou se sentindo assim. E o timing, por quê, na maioria das vezes, é uma questão puramente de tempo, do tempo das pessoas, sobre como o tempo de um passa diferente do tempo do outro, e como é difícil lidar com isso.

  Eu e a Amanda, então, conversamos muito sobre relacionamentos. Sobre licença poética sobre os outros escreverem sobre a gente, sobre o real valor de alguém, sobre aqueles futuros pré-prontos – aquela sensação de que a pessoa sempre vai ser uma espera por nós, sempre é possível e desejável ficar com ela de novo, quando o timing for correto. De novo, o timing. E isso é um dos meus maiores problemas, um dos nossos maiores problemas. Quanto tempo é muito tempo? Eu sei, todo mundo sabe, que quando a gente espera, a outra pessoa eventualmente vem, ou não vem, e por isso não vale a pena mesmo. Mas por que se insiste tanto nesse ponto? E o Chico diz, e eu sei que ele está certo(sobre relacionamentos, não relações internacionais), que ‘não se afobe não, que nada é pra já, amores serão sempre amáveis’. É tão difícil deixar a afobação de lado, e conter tudo isso, e esperar o amor ser amável de novo.

  Enfim, assim a gente, pessoas incríveis, acaba perdendo pessoas também incríveis, ou aquelas nem tão incríveis, ou as incrivelmente ruins, por causa da afobação quase virginal da vontade de ter alguém. Mesmo sabendo, é difícil fazer o que tem dentro e o que tem fora entrarem em sincronia, e deixar as coisas acontecerem é tão difícil quanto traduzir um artigo em francês, fazer uma apresentação oral na frente de uma banca, escolher uma roupa nos dias de inchaço mental ou acordar de ressaca. E, por isso, todas essas coisas, tão importantes, parecem completamente irrelevantes quando comparadas a gostar – ou só depender – de uma pessoa e preencher o vazio.



Maintenant, on sent
October 19, 2008, 22:14
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Como eu gosto de sentir o que me fazes sentir, com todo o toque inteiro que te propões a me dar. Gosto de ver o teu rosto, como ele é plácido e calmo, gosto da cor escura das tuas pálpebras e da magnitude da tua inocência pálida. Te sentir em mim é dádiva que me faz calar e resmungar coisas sem sentido, te sentir em mim me faz pensar em tudo que é bom nesse mundo, me deixa silenciosa e risonha, morna e pulsante, molhada e completa. Tocar o teu peito e sentir a temperatura da tua alma me arrepia de felicidade, me sinto exausta em ti e ao mesmo tempo tenho o fôlego de um milhão de subaquáticos.

Quero entrar dentro de ti por tua pele, quero te apertar junto de mim até sentir o teu coração bater no meu peito e ouvir tua respiração antes de que possas tu mesmo ouvi-la. Gosto de passar o dorso da minha mão por teus braços e ver o quão macia a aspereza de um menino pode ser, ouço teu sono profundo do meu lado e sei que nada mais pode me tirar dali naquele momento. O tempo corre mas sinto que a sensação acetinada de ondas que percorrem os meus ombros não vai acabar. O perfume do teu pescoço e a sensação de enfiar os dedos nos teus cabelos perdurará, eu sei. Ver no espelho que são os meus olhos as costas tuas que se dobram como montanhas de areia branca, sentir teu todo me envolver e querer me engolir e me embrulhar dentro de felicidade me despertam mais do que um som qualquer no meio da noite. O sono decente e carinhoso que segue o gozo de te ter comigo paga os pecados da maldade do meu coração.



Les Chaussures
October 18, 2008, 22:14
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Um dia trouxeram meu sapato de volta. Tinha sido arrumado por um velhinho na rua da praia, e o salto quebrado não estava mais quebrado. Era um sapato vermelho e levemente gasto, com jeito de sapato herdado, com jeito de sapato de menina.

Nem sei explicar a alegria de recebê-lo de volta, um misto de prazer em abrir um pacote com felicidade por ter algo que combinava com todos os meus vestidos preferidos de novo. Meu armário nunca era completo sem meu sapato vermelho, sem todas aquelas peculiaridades dele, sem aquela capacidade de se moldar a mim como se eu tivesse coberto meu pé com areia molhada de água do mar.

Minha mãe trouxe ele embrulhado em papel pardo amarrado com barbantes de algodão, junto com a sacola das compras. Minha mãe sabe o que ele significa pra mim, mandou arrumá-lo sem ter que pedir, simplesmente porque sabe o que é bom pra mim e o que não é.

Ao desembrulhar o pacote, eu puxo o lado direito do barbante do laço, que me dá resistência e então se derrete sob os meus dedos. Desenrolo o papel pardo e, ao vislumbrar um pedaço do couro vermelho gasto com furinhos, meu armário parece ser mais meu de novo. Continuo a desembrulhá-lo, coloco os embrulhos no chão, calço o pé direito sem meias de seda. Continua lindo, continua igual, continua lá toda a possibilidade de combinação, todo o conforto, o tamanho perfeito de salto. Penso que nunca vou, de fato, esquecê-lo atrás de algum outro sapato novo, ou deixar de usá-lo naqueles dias em que já acordo exausta.

Quando ela, minha mãe, levou ele para que fosse arrumado, achei que tinha jogado ele fora. Nem consigo explicar qual a sensação que tive quando quis usar o vestido preto caché-coeur e não pude calçar meu sapato. Quase me desesperei. Ela estava na rua e eu esperei do lado da porta que chegasse para que pudesse lhe dizer como não entendia porque ela faria isso, sabendo que era meu sapato preferido! Mas foi só um susto. Ela me disse, calmamente, que só jogaria o sapato fora se não soubesse o quando ele me agradava, o que não era verdade.

Tantas vezes achamos que algo se perdeu, quando, na verdade, está só esperando para renovar-se.



Esforço e pensamento
September 11, 2008, 22:14
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Está chovendo e eu estou tomando banho. Penso em como foi minha manhã, com quem falei, como discuto livremente sobre a minha vida de um jeito levemente doentio-confessional, mas não sei o que fazer para mudar isso. Chego à conclusão de que estou histérica, uma histeria íntima, talvez, uma histeria contida, mas uma histeria inexorável. Reclamo sozinha para mim mesma sobre minha solidão enquanto me ensabôo com uma barra verde, enxáguo, ensabôo novamente. Penso em todas as coisas que tenho que fazer, penso no que comi no almoço, penso se preciso de receita para comprar alguma coisa anti-ansiedade. Penso nele e em sua ausência, penso de novo em pegar minha mala lá e imagino situações hipotéticas que envolvem gatos e choros copiosos, com direito a abraços soluçantes e todo o resto.

Saio do banho. Me seco enquanto penso em que roupa vou botar, murmurando algumas palavras sobre a chuva incessante e o fato de meu guarda-chuva ser demasiado pequeno. Ponho uma combinação bege com renda branca e imagino de novo se devo colocar a blusa-de-um-ombro-só vermelha ou preta.

Por fim, calço meu tênis e saio, tanto esforço para nada.



Lampejo
September 1, 2008, 22:14
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Eu já tive uma luz.

Perdi, há uns meses atrás. As vezes eu procuro, atrás dos móveis, embaixo da cama, dentro de caixas e caixas e caixas. As vezes eu acho que encontro, e dou saltinhos de felicidade, mas na verdade é uma moeda lampejante, uma vela em um altar, um anel de vidro que alguma criança esqueceu por aí.

Eu já tive uma luz. Lembro que era bonita e quente. Quente de um jeito morno, quente de um jeito receptivo. Ela me acalentava quando eu estava sozinha e precisava de alguma coisa. Dentro das caixas cheias de pedrarias, eu acho que encontro a luz, ou num botão de madrepérola em um casaco, ou em um salto de sapato, ou em uma taça de cristal. Mas não é ela, não é ela de verdade.

Eu já tive uma luz. Lembro que era verão, e ela ainda estava lá, então o inverno chegou, e alguma brisa gelada apagou. Era uma luz forte, eu lembro ainda. Com menos clareza que ontem, eu lembro. E vejo, vejo em todos os lugares aquela luz forte e quente. Vejo nas pessoas, e nunca esqueço como era bom.

Eu já tive uma luz. Não sei como ela se apagou. Um dia eu acordei, e ela não estava mais lá. As vezes eu acho que ela fugiu, ou que alguém roubou, mas acho que ninguém roubaria minha luz. Acho que eu deixei alguma janela aberta e ela saltou pra fora de mim.

Está frio lá fora. E eu já tive uma luz.



Never intended.
August 31, 2008, 22:14
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Eu estou lá, do outro lado do Oceano. Estou de costas pra ele, então viro pra trás e olho ao longe. Enxergo um pedacinho de terra, não sei se enxergo ou imagino, e penso por que estou aqui. Estou aqui porque quis. Quis, sempre quis assim, doeu, quase nada. Agora estou lá.

Cansado de olhar para trás, olho para frente, e vejo uma imensidão de terra. Sei que essa não estou imaginando. Terra até o horizonte, terra que não acaba mais, terra, terra, terra, pessoas. Vejo muitas pessoas. Elas correm, elas organizam suas vidas como lhes é peculiar, elas correm para buscar seus filhos no horário certo na escola, elas correm para conter a solidão no Campus, elas correm para não se atrasarem – pecado mortal – para suas aulas de algo realmente importante para o mundo.

Não resisto. Não olho mais para trás, e não dói, não me dói nada. Sei que deveria, mas não. Sou como alguém fatigado que ao mesmo tempo tem a energia de mil pessoas importantes. Sou uma? Não, mas sei que vou ser. O tempo é implacável, não há tempo para imaginar terras destituídas de mim, terras que já foram minhas. Não são mais, enterro os assuntos. Enterro tudo, enterro amigos, família, tudo. Enterro e esqueço, é isso que faço, e não me sinto culpado por isso, nem tampouco me sinto insensível, ou imaturo.

Conheço meu fim. Meu fim-bem. Meu fim-bem é atravessar aquele Campus e ver minha vida toda ser descrita por alguém importante na língua que não é a que deixei do outro lado. É aquilo que existe, e é aquilo que importa. Nada mais importa, músicas, mulheres, para quê? Quais são suas razões reais de existir se não para a diversão efêmera e a dor que não dura mais do que segundos? Não deixo meu psicologismo me encontrar e me enganar. Chego do outro lado do Campus, no tempo em que queria, como queria. Não olho para trás.