Mon coeur mis à nu


Vanity Fair
September 10, 2009, 22:14
Filed under: Uncategorized

Estou, nesse momento, conversando  sobre uma coisa muito interessante, sobre a qual acho que até hoje eu não tinha escrito: homens vaidosos. Vaidoso, nesse caso, não é o vocábulo aplicado em seu uso cotidiano, mas, sim, uma expressão muito especial que designa homens que são o que eu gosto de chamar pathological flirts.

Se você é homem, certamente tem um amigo assim – ou é assim, só estou sendo diplomática. Se você é mulher, certamente já foi vítima de uma dessas underground creatures from a paralell dimension. Senhoras e senhores, essa ameaça está em todos os lugares, e aparece quando menos se espera. Quais são as características deste espécime, vocês devem estar se perguntando. Bom, fisicamente, ele pode ser qualquer coisa. Em cada círculo social, ele se comporta fisicamente de modo a atrair mais fêmeas para seu círculo de aura sexual desenfreada – na maioria das vezes desconfortavelmente desmedida e embaraçosa -: entre os moços do DCE, normalmente o pf está acompanhado de vasta barba, acessórios de material ‘orgânico’ e camisetas de revolucionários famosos; no happy hour yuppie do Z café, geralmente de um terno escuro, gravata vermelha, gel no cabelo; no cenário alternativo portoalegrense (sic.), calças justíssimas, cabelos calculadamente sujos com pomada da mais alta qualidade e um cigarrinho na mão. O que lhes diferencia é (I). a já mencionada aura sexual, semelhante a algum tipo de perfume masculino enjoativo psicológico e (II). o comportamento tão oleoso quanto geralmente é o seu cabelo.

Mesmo não tendo o menor interesse em ti que vá além de uma noite maisoumenos, ele passa a mão na cintura. Fala excessivamente perto, inclusive, quando em festas, fala no ouvido, de modo sussurante e rouco. Tem as manhas das músicas cult que as gurias cult gostam, dos livros de poesia erótica dos escritores comunistas, cita livremente cantoras pop dos anos noventa para a mocinha desavisada de jeans justo e salto quinze. Não pode se controlar, efusivo em suas investidas com qualquer coisa que se mova e tenha uma vagina. “É que nem a la minuta” – diz um deles  – “tem que comer a saladinha, não se vive só de  bife”.  Com essa mentalidade, ele vive a vida por aí, quebrando corações (sic.) das menos street smart e tomando a vacina antitetânica habitual depois de um poor judgement em particular ou outro. De fato, como sabiamente me foi dito agora, não é tanto por nada que não seja o poder do flerte. É muito mais uma questão de ego, então não o confunda com um ninfomaníaco qualquer.  É, e eu cito, “o objetivo é esse do plano das idéias”.

Não que eles não se recuperem eventualmente. Não digo isso. Mas normalmente nunca por alguém com muito senso, com alguma autonomia, com um certo jogo de cintura. Justamente porque, para um pf é impossível pensar numa mulher que não com a conotação de presa. Pessoas e mulheres têm classificações diferentes para ele, uma com quem se pode ter relações sociais normais, e outras com quem se tem relações exclusivamente de cortejo e hierarquia de poderes.

É uma pena, também, porque homens vaidosos são extremamente interessantes. Por mais que a gente se esforce;  por mais que saiba que, no fundo, são só palavras;  por mais que se saiba que há um risco 30% maior de doenças venéreas e um 90% maior (se não mais) de coração quebrado, é difícil dizer não.

Me chamem de coração árido, digam que eu sou uma cínica, mas eu dificilmente, após me deparar com inúmeros destes espécimes e fazer análise minuciosa de seus comportamentos – tenham eles sido presentes na vida de amigas, meus próprios amigos, ou presentes demais na minha própria vida – consigo acreditar em um desses reformado. O índice de reincidência é alto e a minha mesada é baixa demais para pagar a fiança.


3 Comments so far
Leave a comment

He didn’t take the time to lie

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down

talvez porque eu esteja ouvindo essa música loucamente, talvez não, teu texto me lembrou dela.

Tu é talentosa demais pro Direito, kremoza.

Comment by Leti

Sinto lhe informar que o flerte patológico não é ligado ao cromossomo Y. Inúmeros são os exemplos de mulheres que agem, mutatis mutandi, da mesma maneira: vaidosas que são, buscam sempre todas as atenções. Enviam os mais diversos sinais de interesse para manter os machos na sua esfera de influência, apenas pelo prazer de serem cortejadas.
Enfim, o ser humano é uma praga.

Comment by Rafael Prince

Sempre adoro os teus posts, Luíza. Será que esse tal cara não é o tipo ideal das menininhas? pq nos interessamos por ele e não por aquele sem-estilo, sem-sal e com boas intenções? merece um post novo. ^^

Comment by Bruna.




Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s



%d bloggers like this: