Mon coeur mis à nu


Remember that day
September 14, 2009, 22:14
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Já escrevi sobre meus amores que se foram aqui. Uma vez, eu tive um amor impossível, outra vez eu tive um namoro capenga, já tive um amor platônico infantil. Esse ano, eu fiz uma experiência pela primeira vez: aprendi a ter amor por mim. E eu aprendi a ter amor por mim só depois que eu parei de olhar tanto pra fora. Acho que hoje eu tenho distanciamento de todas as coisas que eu vivi antes o suficiente pra escrever sobre isso.

Em março, de fato, eu tive um breakthrough muito grande. Eu tinha tido um relacionamento muito importante ano passado, com uma pessoa de quem eu gostava muito, que quebrou meu coração. E resolvi, sem mais nem menos, esse ano, como se a vida nada tivesse me ensinado, me jogar no vazio em uma coisa sem nenhum tipo de precedente que me indicasse que eu teria um bom sucesso. E também com todos os indicativos fáticos de que eu ia ter. E deu infinitamente errado. Foi um pequeno erro de um mês, e o mais estranho é que, o que mais me entristecia quando acabou – quando ele acabou comigo, dizendo que ‘Me esforcei, mas não consegui gostar de ti…’ – era que foi um relacionamento que me disperdiçou completamente. Foi um mês que não me acrescentou nada. Não tive nada que eu não tivesse tido antes, não tive amor arrebatador, não li um livro, vi um filme ou ouvi uma música que mudasse paradigmas, não descobri uma pessoa maravilhosa. Nada. Aquilo me frustrou muito, e depois disso eu adotei uma resolução, que é o que me fez acreditar que é a coisa mais certa que eu já fiz em toda a minha vida amorosa, que foi de não ficar com ninguém, não alimentar esperanças por ninguém, porque, quando alguma pessoa que valesse a pena surgisse, ela ia saber com o que ela se deparou. Eu não sou o tipo de guria que tem que mendigar – eu leio, estudo, saio, tenho mil amigos realmente maravilhosos, me visto bem, tenho uma família que não existe de tão boa – e nada me faz ter que me doar por menos retorno emocional do que eu mereço.  Sempre que eu ou algum dos meus amigos levantava esses argumentos sobre mim, era para justificar o porque que um término meu não tinha que ser tudo isso. E, sabe o que mais, nunca tinha sido uma coisa que partiu de mim, uma resolução em que eu realmente acreditasse. Eu tive que repetir várias vezes pra mim mesma que eu merecia coisas boas, porque eu era uma pessoa digna disso. Mas pelas razões erradas, por razões externas, pelos motivos que nunca iam me fazer internalizar essas coisas. Eu tive que aprender do jeito difícil que não é sendo a melhor namorada do mundo, com toda a disponibilidade e todo o carinho, que se conquista necessariamente alguém. Eu tive que repetir pra mim mesma todo o dia que eu sou uma pessoa suficientemente boa, do jeito que eu sou, sem ter que mudar a minha essência, porque qualquer pessoa teria sorte de me encontrar. E eu acabei tendo sorte, e me encontrando. O que veio depois, tudo que veio depois, foi só reflexo disso.

Claro, nesse meio tempo foi duro. Teve o choro copioso no quarto em BH. Teve o dilema trai-ou-não-trai. Teve o CAARBaré fatídico em que tudo se esfacelou. Teve o afago no pé e o olhar choroso que me trouxeram tudo a tona. Teve ofensa via scraps, tiveram ligações, tiveram re-encontros bizarros e committeds no orkut sem aviso diplomático. Tiveram fotos no facebook, ficadas com colegas de amigas em festas aleatórias, reencontros com pessoas. E algumas amigas. E alguns amigos, aniversários, viagens, caminhos.

No fim, eu só sei que estou aqui. O mesmo que eu sempre fui, mas completamente diferente. And thank god for that.

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Vanity Fair
September 10, 2009, 22:14
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Estou, nesse momento, conversando  sobre uma coisa muito interessante, sobre a qual acho que até hoje eu não tinha escrito: homens vaidosos. Vaidoso, nesse caso, não é o vocábulo aplicado em seu uso cotidiano, mas, sim, uma expressão muito especial que designa homens que são o que eu gosto de chamar pathological flirts.

Se você é homem, certamente tem um amigo assim – ou é assim, só estou sendo diplomática. Se você é mulher, certamente já foi vítima de uma dessas underground creatures from a paralell dimension. Senhoras e senhores, essa ameaça está em todos os lugares, e aparece quando menos se espera. Quais são as características deste espécime, vocês devem estar se perguntando. Bom, fisicamente, ele pode ser qualquer coisa. Em cada círculo social, ele se comporta fisicamente de modo a atrair mais fêmeas para seu círculo de aura sexual desenfreada – na maioria das vezes desconfortavelmente desmedida e embaraçosa -: entre os moços do DCE, normalmente o pf está acompanhado de vasta barba, acessórios de material ‘orgânico’ e camisetas de revolucionários famosos; no happy hour yuppie do Z café, geralmente de um terno escuro, gravata vermelha, gel no cabelo; no cenário alternativo portoalegrense (sic.), calças justíssimas, cabelos calculadamente sujos com pomada da mais alta qualidade e um cigarrinho na mão. O que lhes diferencia é (I). a já mencionada aura sexual, semelhante a algum tipo de perfume masculino enjoativo psicológico e (II). o comportamento tão oleoso quanto geralmente é o seu cabelo.

Mesmo não tendo o menor interesse em ti que vá além de uma noite maisoumenos, ele passa a mão na cintura. Fala excessivamente perto, inclusive, quando em festas, fala no ouvido, de modo sussurante e rouco. Tem as manhas das músicas cult que as gurias cult gostam, dos livros de poesia erótica dos escritores comunistas, cita livremente cantoras pop dos anos noventa para a mocinha desavisada de jeans justo e salto quinze. Não pode se controlar, efusivo em suas investidas com qualquer coisa que se mova e tenha uma vagina. “É que nem a la minuta” – diz um deles  – “tem que comer a saladinha, não se vive só de  bife”.  Com essa mentalidade, ele vive a vida por aí, quebrando corações (sic.) das menos street smart e tomando a vacina antitetânica habitual depois de um poor judgement em particular ou outro. De fato, como sabiamente me foi dito agora, não é tanto por nada que não seja o poder do flerte. É muito mais uma questão de ego, então não o confunda com um ninfomaníaco qualquer.  É, e eu cito, “o objetivo é esse do plano das idéias”.

Não que eles não se recuperem eventualmente. Não digo isso. Mas normalmente nunca por alguém com muito senso, com alguma autonomia, com um certo jogo de cintura. Justamente porque, para um pf é impossível pensar numa mulher que não com a conotação de presa. Pessoas e mulheres têm classificações diferentes para ele, uma com quem se pode ter relações sociais normais, e outras com quem se tem relações exclusivamente de cortejo e hierarquia de poderes.

É uma pena, também, porque homens vaidosos são extremamente interessantes. Por mais que a gente se esforce;  por mais que saiba que, no fundo, são só palavras;  por mais que se saiba que há um risco 30% maior de doenças venéreas e um 90% maior (se não mais) de coração quebrado, é difícil dizer não.

Me chamem de coração árido, digam que eu sou uma cínica, mas eu dificilmente, após me deparar com inúmeros destes espécimes e fazer análise minuciosa de seus comportamentos – tenham eles sido presentes na vida de amigas, meus próprios amigos, ou presentes demais na minha própria vida – consigo acreditar em um desses reformado. O índice de reincidência é alto e a minha mesada é baixa demais para pagar a fiança.