Mon coeur mis à nu


La Belle Personne
June 27, 2009, 22:14
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Esses tempos, fui ao cinema e vi “A Bela Junie”. Fomos eu, Alice, a mãe dela e uma outra amiga, e tinha sido logo depois do segundo anúncio para a inevitabilidade do meu último término – uma coisa meio sangue, suor e lágrimas pela heptagésima vez. A história é mais ou menos assim, uma garotinha chega nova no colégio, um liceu francês, com professores exquisit, e um garotinho se apaixona por ela. Ela sente dor, está confusa, e pede pra que ele nunca abandone ela. É tão bonito isso, e tão verdade. Estar hopelessly in love com alguém que está hopelessly needy por alguém, não é? E essa garotinha, então, é o mais novo alvo de um professor de Italiano – são sempre os formados em letras, eu digo – e ele se apaixona perdidamente por ela. E ela tortura o outro garotinho, e ele se mata. E ela tortura o professor, porque não sabe o que quer e promete o que não pode. E daí desaparece.

Enfim, eu, a Alice, a mãe da Alice e a amiga dela, a Ana Medeiros, chegamos à conclusões totalmente diferentes sobre o filme. A mãe da Alice e a Ana acham que a garotinha é uma pobre coitada confusa, que morde mais do que consegue mastigar porque acabou de perder os pais. Já eu e a Alice crucificamos a bela pessoa, e dizemos que ela tem uma atitude masculina ao enrolar duas pessoas ao mesmo tempo.

Vou me explicar. A Junie envolve um cara, que gosta muito muito dela. Até aí tudo bem. O problema é que ela não tem certeza, não tem certeza de que ela vai prover o que aquela pessoa deixou claro que precisava desde o início, o que qualquer pessoa, quando se entrega pra outra, quer. E ela, mesmo assim, mesmo sabendo disso, sabendo da fragilidade, da tênue linha entre o que faz bem pra gente e o simples terrorismo emocional egoísta, promete coisas, que ela no fundo sabe não poder cumprir. E ela não quer realmente aquilo, ela está ali em parte por necessitar de alguém que precise dela, e não porque ela quer estar ali de verdade.  E o professor, ela nutre ele com falsas esperanças e um ar de tímido interesse pra, no fim, egoísticamente fugir, depois de também prometer ficar com ele em algumas meias palavras.

Isto, eu digo com propriedade, já aconteceu comigo. Queria não ter sido o ente passivo nas situações, mas não acho carmicamente saudável ser tampouco o ente ativo. E é um comportamento típico de caras. Primeiro, a minha relação prestes a terminar da época em que eu vi o filme fez exatamente comigo o que a Junie fez com o garotinho. Claro, eu não me matei; não sou tão dramática e nem valia tanto assim alguém mais magro que eu, de calças mais justas e com problemas oculares. O ponto é, eu abri mão das minhas três non-do rules, eu trouxe pra dormir em casa, e eu acreditei nas juras cantadas de amor. Tudo isso pra, depois do dispêndio de um mês da minha vida em que eu me expus com meus colegas e com o antigo amor da minha vida, pra ouvir “Tentei, mas não consegui gostar de ti”. Olha, eu nunca achei que gostar de mim tivesse que ser fruto de esforço. Também lá não sou mulher de tentar curar trauma de outrora, tenho meus próprios traumas pra curar. Típico caso de egoísmo comportamental masculino. Segundo, que a Alice, deusa do meu coração, querida, linda, amável, também estava sendo vítima de um desses carinhas. Revestiu de açúcar o quanto pode, e, depois de TRÊS meses, em que fez as mesmas coisas na quinta potência que o outro, se fez de rogado e passou a fingir que nada aconteceu.

Agora me digam, como faz ter esperança depois disso tudo? E como faz entender de o personagem da Junie, homem típico das nossas vidas, ser uma de nós? Não dá, gente, há muito errado com o mundo.


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