Mon coeur mis à nu


The Pleather Man, ou a ilusão de óptica aplicada a relacionamentos
April 20, 2009, 22:14
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  Muitas vezes um espécime masculino aparece cruzando nossas vidas amorosas. Alguns chamam-no de pleather man. É dificílimo reconhecê-lo, pois anda entre os demais espécimes com a devida semelhança, bons modos, educação, cortesia, enfim, ‘the works’, e parece dizer o que pensa. Tem a habilidade de parecer um dos homens bons, um leather man, resistente, confortável e extremamente sexy. Qual é a surpresa quando uma de nós o experimenta: nada maleável, passa a fazer misérias com o corpo em que está encaixado. Ao contrário do leather man, faz suar copiosamente sua usuária, nunca se adaptando às suas vontades. Faz sentido que tenha sido tão mais barato e fácil de encontrar, ao alcance da mão, no centro da cidade.

  Nunca se deixe enganar por cem reais a menos na etiqueta, pois ele se transformará em mil a mais no psiquiatra. Um pleather man tem prazer em parecer excelente, mas, assim que colocado em uso se torna completamente inviável. Pior ainda é quem continua a insistir no erro e se acomodar com band-aids para consertar erros externos a si. O problema é que não se transforma plástico em ouro, mesmo que ele seja pintadinho de dourado; não se transforma Victor Hugo em Birkin Bag; não se come Big Mac com calorias de Suprêm.

  A pergunta que resta é onde está o verdadeiro? Ele se oculta por aí ou será mais um mito inserido por montantes gigantescos de filmes açucarados e histórias publicadas em CARAS, urban relationship miths? No dia de hoje, o dia mais cáustico, cretino, bukowskiano e cínico em que me encontro me atrevo a dizer que não, pelo menos não em número suficiente para todas nós. Eles enganam, fazendo questão de que a ilusão de óptica perdure, mas ela não dura mais do que alguns meses: logo vem os empurrões, as críticas, a acidez desnecessária, o mau-me-quer. O que se pode fazer é trocar incessantemente até se encontrar um que preste, ou que, pelo menos, não seja tão falso; vejo o Beco como a Lojas Marisa do amor, numa escala crescente até uma utilizável Twin que deveria ser a faculdade: é importante ter em mente que as vezes durabilidade não é sinônimo de algo bom, principalmente quando se tratando do pleather man. Se enganar por tempo demais torna a queda do salto mais drástica.

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Are we children?
April 5, 2009, 22:14
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Me pergunto o que vale a pena. Tenho muito medo, muito medo mesmo de não saber ser adulta. Há tantas implicações como em um jogo que nunca aprendi a jogar. Não sei jogar nem cartas, como vou aprender a ser grande.

Os jogos que as pessoas fazem não fazem parte do meu vocabulário mental. Não sei mentir, só sei sentir. Sinto, falo, ando, como como uma criança por isso? As vezes também penso que deveria fingir sentimentos. Minha manicure sempre diz que um homem sempre precisa achar que gosta mais de ti, se não se perde todo o mistério e se esvai o amor. Será que isso é sempre assim? Eu achava que não, até um dia ouvir que sim de quem eu mais gostava e ter que me resignar.

Não gosto de me resignar. Aquele amor acabou e já passaram poucos outros, é assim que te que ser. Penso, ainda, pra continuar continuando, que é necessário demonstrar o que se sente. Penso que jogos para adultos são uma bobagem, e que amor tem que vir de dentro pra fora pra ser verdadeiro. Não quero fingir beijos frios, quero tocar rostos com a convicção de quem sabe o que quer. Talvez ser mulher ou homem de verdade não esteja em fingir, mas em dizer a verdade. Quebrar os mitos, como eu faço pra quebrar? Quebrar mitos, comofas? Porque é difícil aceitar que não se deve aplicar um cliché de relacionamentos ao nosso corrente relacionamento, ainda mais depois de tantos fracasos pessoais e tantos sucessos alheios. Mas acho que devo ‘stick to my guns’: quando for verdadeiro, pele de coelho, foie gras, lezard vão substituir o “pleather”, a proteína de soja, o acrílico. Quero só ver esse dia chegar.