Mon coeur mis à nu


Tel que tu es
March 15, 2009, 22:14
Filed under: Uncategorized

   Come as you are. Complicado, não é mesmo, quando nem você mesmo sabe o que tem por baixo de tudo. Eu sei que não sei, só sei o que eu não quero e não sei o que eu quero. O escafandro que se aventura por dentro de si descobre mais do que coisas em um quarto,  fragmentos de poemas, mentiras, retratos, eco de antigas palavras. As antigas civilizações que se têm dentro de si são tão obscuras. Duvido que algum antropólogo de almas consiga desvendar alguma, é tudo tão mais complexo e profundo do que parece.  

   Todos nós temos histórias. Passados. Bagagem. Quantas vezes se descobre que aquela coisa que aconteceu há tanto tempo atrás mudou tudo que nós sabemos sobre nós mesmos. Quantas vezes é exigido que a gente tenha que usar aquele pronome reflexivo que torna tudo tão difícil. Meu uso excessivo de pontos entre as frases deve ter alguma coisa a ver com alguma situação na pré-escola, algo sobre não dividir o lanchinho com os meus colegas, ou sobre não ter ganhado a merendeira da Power Ranger rosa.

   É estranho pensar que outros tem bagagens como eu, que tiveram não só amores e namoros, e desilusões, mas que também pintaram coisas com giz-de-cera, ou andaram a cavalo e caíram. O difícil também é aceitar que essas coisas mudam às pessoas tanto quanto mudam o nosso íntimo, aquela ‘casquinha no joelho’ que acaba de vez em quando virando ferida aberta por causa de uma topada em alguma mesinha de centro deslocada do lugar na volta da escolinha. É difícil acreditar que fatos mudam as outras pessoas tanto quanto mudam a gente, mas acho que isso é algo que vem com o tempo, pelo menos eu espero. Olhar para dentro já é tão difícil, quanto mais olhar para dentro dos outros; muito mais que fragmentos de vida, as vezes acha-se fragmentos de corpos, ossaturas em armários, cadáveres semi-enterrados de uma vida que ainda não se decompôs.


1 Comment so far
Leave a comment

Melhor olhar para dentro de si e dos outros pelo que são. O que foram, o que serão: arrepedndimento irrelevante e anseio improvável, respectivamente. Ninguém foi, ninguém será. Todo mundo é.

Comment by Gabriel




Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s



%d bloggers like this: